Recifenses não confiam na polícia
A conclusão é de uma pesquisa realizada entre os dias 8 e 10 pela Faculdade Maurício de Nassau, da capital pernambucana. Intitulado de Termômetro da insegurança e vitimização na cidade do Recife, o levantamento divulgado hoje ouviu 795 moradores para tentar identificar o sentimento e a percepção da população em relação ao crime numa das capitais mais violentas do País.
Coordenador do estudo, o sociólogo Adriano de Oliveira destacou que 64,2% dos entrevistados disseram conhecer alguma vítima de homicídio no Estado. Quanto menor a renda, maior o porcentual – dos que ganham mais de dez salários mínimos, 17,5% afirmaram conhecer vítimas de assassinatos.
A maioria dos casos ocorreu nos últimos dois anos – 60,7% – e, destes, 33,9% nos últimos três meses, o que leva Oliveira a observar que “o homicídio faz parte do cotidiano das pessoas da cidade, especialmente as mais pobres, que são as principais vítimas”. A maioria dos pesquisados – 54,7% – não considera nenhum bairro da capital pernambucana seguro. Já foram vítimas de assalto em via pública 44,6% dos entrevistados (57,4% das investidas com arma de fogo) e 16,1% tiveram sua casa assaltada. Quase 80% dos pesquisados (79,8%) afirmaram não acreditar que a polícia possa lhes proteger dos criminosos. Disseram crer 19,1% – 32% deles com renda de até um salário mínimo.
Dos que tiveram a residência roubada, 46,5% prestaram queixa à polícia, mas para 88% deles, o assaltante não foi presos. Dos assaltados em via pública, 45,4% também procuraram a polícia, que não prendeu o criminoso, de acordo com 91,4% deles. A maioria das vítimas não registra queixa na polícia diante da “ineficiência” para prender os criminosos. Com isso, os dados oficiais não representam, segundo o sociólogo, a realidade criminal. “O descrédito da população na instituição policial coloca em prova a capacidade do Estado para prevenir e punir os delitos na sociedade”, afirmou.
Sobre o medo de não voltar para casa, 62,8% responderam afirmativamente, independente da renda ou da classe social a que pertencem. Também em todos os segmentos econômicos, mais de 50% dos entrevistados mudaram os hábitos visando a se proteger da violência. Nesse quesito, o receio de sofrer um ato criminoso afeta mais as mulheres – 54,5% delas.
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